"AJUDANDO OS PAIS A ENTENDEREM MELHOR SEUS FILHOS. PAIS INFORMADOS. FILHOS MAIS FELIZES."

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

JOVENS – Caem os mitos sobre a adolescência

Uma série de estudos revela que os jovens não são tão inconsequentes, egoístas e preguiçosos quanto parecem.
Quando o assunto é criação de filhos, cada fase tem sua beleza e seus dissabores. Cabe aos pais aprender a lidar com uma nova criança que desabrocha a cada etapa que se inicia. A adolescência, no entanto, é vista como um bicho de sete cabeças. Nesse momento de transição, quando começam a se descobrir adultos, os filhos sentem vergonha, questionam, desafiam e se afastam – só para citar alguns aborrecimentos típicos. “A adolescência é, sem dúvida, a fase mais temida”, afirma a hebiatra (médica especializada em adolescentes) Jayne Blanchard, do Centro para a Saúde do Adolescente, da Escola de Saúde Pública Johns Hopkins Bloomberg, nos Estados Unidos. “Mas, muitas vezes, os jovens agem de determinada maneira simplesmente porque é da sua natureza.” Depois de notar as dificuldades de muitos deles para entender a própria cria, Jayne e a também hebiatra Clea McNeely lançaram o livro “The Teen Years Explained – a Guide to Healthy Adolescent Development” (A Adolescência Explicada – um Guia para um Desenvolvimento Saudável de Jovens).



Recém-lançada nos Estados Unidos (e sem previsão de chegada ao Brasil), a publicação reúne as principais descobertas científicas sobre o funcionamento cerebral do jovem de 10 a 19 anos e se apoia em estudos relevantes sobre essa faixa etária. Com esses recursos, derruba alguns mitos consagrados sobre os adolescentes. Como, por exemplo, de que eles são egoístas e não têm noção do perigo. “Nessa fase, o jovem ganha 50% de seu peso de adulto, torna-se capaz de se reproduzir e experimenta um enorme desenvolvimento cerebral”, diz Clea. “Tudo isso, ao mesmo tempo que descobre a paixão, a amizade e a vida profissional.” A velocidade dessas transformações contribui para a insegurança paterna. “Esse desenvolvimento é caracterizado pela falta de sincronia. Então, apesar de eles crescerem de tamanho, têm os lados cognitivos e emocionais imaturos.”

O livro das médicas americanas demole, por meio de pesquisas recentes das mais renomadas instituições, máximas relacionadas ao temperamento adolescente. Afinal, que pai nunca chamou o filho de 10 a 19 anos de egoísta ao menos uma vez? As autoras explicam que é injusto dizer que os mais novos só pensam neles. “De fato, mudanças cerebrais estimulam os jovens a pensar mais neles, especialmente por volta dos 15 anos”, explica Clea. “Mas, ao mesmo tempo, o desenvolvimento cognitivo os leva a focar em algo mais profundo e denso.” Prova disso é que os adolescentes levantam suas bandeiras com fervor. Por exemplo, um jovem que fica sabendo da crueldade praticada contra aves nas granjas tende a se tornar vegetariano, segundo pesquisas.


Ousados, audaciosos, intempestivos… A ideia de que os mais novos ainda não têm noção do perigo tira o sono dos pais. Mas, se depender das pesquisadoras Jayne e Clea, eles podem voltar a dormir sossegados. Hoje, um maior conhecimento dos processos cerebrais revela que os jovens sentem medo sim, por exemplo, de contrair doenças sexuais ou usar drogas ilícitas. Por outro lado, a consciência do risco não os imobiliza. O estudo “Perspectiva Social e Neurocientífica do Comportamento de Risco do Adolescente”, do psicólogo americano Laurence Steinberg, de 2008, mostra que, ao ignorar o dano e enfrentar a situação, o adolescente se sente mais recompensado do que um adulto se sentiria. “Ressonâncias magnéticas revelam que a região do cérebro que recebe estímulos compensatórios do risco alcança níveis elevadíssimos nessa fase”, diz Clea.
 
É BIOLÓGICO Comer e dormir muito faz parte do pacote cerebral


Enquanto isso, explicam as pesquisadoras, a área cerebral que controla impulsos só amadurece na idade adulta. Além disso, o jovem se coloca em situações arriscadas em nome da aceitação social. E é essa a principal preocupação dos pais, segundo a presidente da Associação Brasileira de Psicopedagogia, Quézia Bombonatto. “Sabem dos males, mas fumam, bebem e usam drogas para impressionar os colegas e não serem excluídos do grupo”, diz ela. “Nesse sentido, cabe uma orientação para que eles, ainda sem estofo para enfrentar pressões sociais, fortaleçam a sua personalidade.”

RELAÇÃO PROFUNDA
Embora pareçam estar sempre contra os pais, é a eles que os jovens
recorrem quando precisam falar de assuntos sérios e delicados

Especialistas são unânimes: a jornada de pais de filhos adolescentes tem de ser feita lado a lado. Afinal, não se trata mais de uma relação com uma criança que pode ser colocada no colo e convencida das verdades do mundo, mas sim com um aprendiz de adulto, que tem suas próprias convicções. O livro das médicas da Johns Hopkins deixa claro que os dois lados têm sua dose de responsabilidade, ainda que inconsciente, no aumento dos conflitos desta fase. Se de um lado há a falta de conhecimento dos pais, do outro há a imaturidade cerebral dos filhos. “Nesse momento, adultos e adolescentes veem as coisas de maneira diferente porque seus cérebros funcionam de formas distintas”, explica Clea. Os mais velhos precisam entender que os mais novos têm dificuldade de encontrar o meiotermo em argumentos e opiniões. “Eles tendem a ver tudo preto ou branco e por isso são tão radicais quando defendem o seu ponto de vista.”
Um bálsamo para pais presente no livro diz respeito à imagem que eles acham que seus filhos fazem deles nesta fase. Muitos reclamam que seus rebentos gostam de desafiá-los o tempo todo e só ouvem os amigos. Outra afirmação que os estudos recentes derrubaram solenemente. É da natureza do jovem discordar do adulto. Eles encaram os conflitos como uma maneira de expressar seus sentimentos, enquanto os mais velhos levam para o lado pessoal. Além disso, adolescentes afirmam – e pesquisas confirmam – que os pais ou outros adultos, como parentes ou professores, são a sua maior influência. “Nessa época, os jovens se afastam dos pais e formam seu círculo social. É nessa fase que passam a valorizar as amizades”, diz Clea. “Mas isso não significa que eles não procurem ou não ouçam os adultos em questões mais densas.”
Acredita que nem preguiçosos eles são? Os pobres rapazes e moças precisam de mais horas de sono, algo em torno de dez horas, por questões biológicas. Falando sobre o organismo da garotada, quem acha que o jovem tem metabolismo milagroso deve rever seus conceitos. “Engana-se quem pensa que ele pode comer o que quiser e quanto quiser sem engordar”, diz Clea. No Brasil, dados do IBGE (2002-2003) revelam que 15,4% dos jovens brasileiros têm excesso de peso e 2,9% são obesos. Com as revelações, o livro é uma bússola para pais sem rumo. Com informação, tudo pode ser diferente.
Fonte: ISTOÉ-por: Claudia Jordão
Disponível em: http://odiario.com/blogs/inforgospel/2010/04/26/caem-os-mitos-sobre-a-adolescencia/

domingo, 19 de setembro de 2010

Uma palavra aos pais desanimados


Por Nancy Van Pelt

Muitos pais de adolescentes têm sentimentos de insuficiência própria. Perguntas como “Será que fiz a coisa certa?” os atormentam. Você sentiu esse drama alguma vez? Se continua fazendo a mesma pergunta, tenha a certeza de que está agindo como deveria. Às vezes, as coisas parecem irremediáveis, mas talvez sejam melhores do que você imagina.
Durante o período em que você conviveu com adolescentes em casa, a tensão e os desentendimentos podem tê-lo confundido e magoado. Os desentendimentos podem não ter sido agradáveis, mas indicam que os canais de comunicação se mantiveram abertos. Um conflito aberto é melhor do que uma guerra fria, em que os membros da família se escondem na hostilidade e indiferença silenciosa.
Por mais difíceis que sejam os anos da adolescência, os pais devem manter as portas da aceitação, do amor e da comunicação abertas. Sejam firmes e amorosos. O adolescente pode se mostrar hostil, ressentido, rebelde, mal-humorado e retraído. Você pode sentir que sua paciência se esgotou e querer abandonar tudo, distanciar-se ou pedir ao seu filho que saia de casa. No entanto, lembre-se de que, quanto mais difícil for seu filho, mais necessidade de amor e aceitação ele tem. Mesmo que ele reprove tudo o que você fizer, jamais o rejeite. Você é uma pessoa madura; seu filho ainda está amadurecendo.
Você pode agir com juízo durante o momento de dificuldade, mesmo quando ele não pode. Ao se comportar com firmeza, mas com amor, você terá sua recompensa se ele, no futuro, imitar seu comportamento sensato. Procure agir de tal maneira que, quando seu filho sair de casa, mantenha as melhores relações com você.
A culpa que uma pessoa sente pelo que fez ou deixou de fazer apenas piora a situação. O medo de fracassar, às vezes, atrapalha nosso pensamento até o ponto em que não podemos distinguir entre a culpa real e a culpa irracional. Cada novo problema que surge traz novos temores diante da possibilidade de agir de forma inadequada. A opressão da culpa fica tão intensa que ameaça nos alienar. Se não pudermos enfrentar nossos sentimentos de culpa de forma aberta e honesta, eles estragarão as relações com nosso cônjuge, nossos filhos, nossos familiares e os companheiros de trabalho. A culpa é como um ladrão e nos rouba o prazer de viver.
Estudos recentes sobre o desenvolvimento infantil indicam que o temperamento da criança tem mais influência sobre seu desenvolvimento do que se supunha. Com frequência, chama-se a atenção para o grande poder dos pais e a debilidade da criança. Todos reconhecemos a profunda influência que os pais exercem, mas subestimamos o papel do filho em seu próprio desenvolvimento. Os pais devem estabelecer uma distinção entre influência e controle. Ambos podem ser exercidos durante os primeiros anos, mas os pais têm de diminuir o controle quando os filhos chegam à adolescência. Mesmo com os menores, deve-se evitar o excesso de controle. Cada criança é um indivíduo particular, com sua própria vontade e capacidade de tomar decisões.
Fonte: PELT, Nancy Van. Como Formar Filhos Vencedores: Desenvolvendo o Caráter e a Personalidade. São Paulo: Casa Publicadora Brasileira, 2006.
Não é possível eliminar a dor, mas você pode se concentrar na esperança para o futuro. Faça um esforço para não se fixar no lado negativo da vida. Fortaleça a esperança, confiando que, no futuro, a situação será mais positiva. Além disso, lembre-se de que os filhos adolescentes têm direito de tomar certas decisões concernentes a seu futuro. Eles devem ser responsáveis por suas decisões, seu comportamento e pelos resultados de sua maneira de ser.

Ficar é diferente de namorar



Por Nancy Van Pelt

O “ficar” é um fenômeno que os jovens e os não tão jovens de hoje acreditam ter inventado, mas, na verdade, ele é muito antigo, tendo, através dos tempos, recebido outros nomes. O “ficar” é um encontro entre duas pessoas que sentem atração física uma pela outra e decidem ficar juntas por alguns minutos ou horas, durante uma festa, no shopping, na escola, no acampamento, na praia ou em qualquer outro local onde tenham se encontrado. É “olhou, gostou, ficou”. Não tem nada a ver com namoro, com amor e, muito menos, com compromisso. Depois de “ficar”, os dois podem até voltar a se encontrar e não acontecer mais nada ou podem querer se encontrar novamente, ficar de novo e até resolver namorar e desenvolver um relacionamento com compromisso.
“Ficar” pode significar apenas “selinhos” ou chegar a carícias mais avançadas. Tudo depende da ousadia do rapaz e do consentimento da moça ou vice-versa. O “ficar” é diferente do “transar”, que implica ter relações sexuais completas. Quando “ficam” várias vezes com a mesma pessoa, costumam dizer que “estão de rolo”, o que ainda não é namoro. O “ficar” pode ser uma forma de treinar e desenvolver segurança em relação ao sexo oposto. Não há cobranças, cada um faz o que quer, sem dar satisfação.
Uma grande preocupação em relação a esse fenômeno é que muitos jovens só “ficam”, nunca namoram. Com isso, não aprendem a desenvolver um relacionamento a dois, a ter conflitos e diferenças e a resolvê-Ios, o que pode atrapalhar muito quando resolverem escolher alguém para casar. O namoro é uma etapa fundamental no desenvolvimento do jovem, pois desenvolve a personalidade, ensina a conhecer o sexo oposto e a aprender a lidar com as diferenças. Preenche a necessidade que todos temos de ser amados, propicia atividades de divertimento e lazer e é o caminho para encontrar o futuro parceiro para o casamento.
Quem só “fica” pode estar fugindo do envolvimento e da intimidade; pode ficar superexigente na busca de alguém perfeito que, provavelmente, nunca vai encontrar; pode ter baixa autoestima; pode só gostar de desafios, precisando testar constantemente sua capacidade de atração; pode ter medo de se sentir sufocado em um relacionamento.
Assim, quem só conhece o “ficar” está muito mais propenso a viver relacionamentos descartáveis também no casamento, pois nunca passou pelo aprendizado de relação a dois que o namoro proporciona. Cabe aos pais levantar essa questão junto aos filhos e orientá-Ios sobre a importância do namoro e como conviver com o “ficar” sem os riscos de tornar fútil essa etapa tão importante na vida dos adolescentes e jovens adultos.

Fonte: PELT, Nancy Van. Como Formar Filhos Vencedores: Desenvolvendo o Caráter e a Personalidade. São Paulo: Casa Publicadora Brasileira, 2006.

O namoro e o comportamento sexual



Por Nancy Van Pelt

Talvez os pais tenham menos influência e controle quando o tema é namoro e sexo do que em qualquer outro assunto da vida do adolescente. Sem perceber, muitos pais colocam empecilhos no caminho dos filhos, de modo que eles não sentem confiança para conversar sobre sexo e amor no período mais difícil de sua vida. Poucos pais estão cientes do comportamento e das normas de seus próprios filhos em relação ao namoro e ao comportamento sexual.
Por uma razão simples: há boas intenções, mas métodos falhos. Ao não querer comentar esse tema, os pais pensam que desestimularão o filho a namorar. Mais tarde, quando já não podem ignorar o assunto, tornam-se ditadores e dominadores em relação à hora em que deve voltar para casa e às suas atividades. Além disso, reagem violentamente, com frequência zombam do namoro do filho, de modo que o adolescente prefere escondê-lo para não cair no ridículo.
Há um caminho melhor. O assunto namoro deve ser tratado nos momentos familiares, durante os primeiros anos da adolescência. Os filhos devem se sentir livres para fazer comentários e perguntas, não importando quão estranhos ou surpreendentes possam ser. Os pais devem evitar responder com senões, comentários maldosos ou represálias. Você não gostaria que seu filho recebesse informação de sua parte em vez de recebê-Ia de seus amigos? Lembre-se também de que, nessas ocasiões, ele está aprendendo e crescendo. Através de orientação paciente e sábia e graças a uma franca aceitação dos pais, os valores do adolescente surgirão gradualmente.
Depois de ter preparado o caminho com conversas francas, você poderá estabelecer as regras necessárias. Num acordo sobre os namoros, é preciso estabelecer a idade de começar o relacionamento, quantas vezes por semana serão os encontros, a hora de chegar em casa, as saídas com pessoas desconhecidas e outras coisas parecidas. Tudo isso deve ser esclarecido antes que o adolescente comece a sair com pessoas do sexo oposto.
Uma das coisas mais difíceis de discutir, mas talvez a mais necessária, é o comportamento sexual. Muitos pais preferem fechar a porta da discussão sobre o tema, agindo de forma arbitrária. Sua reação exagerada fará com que o adolescente se empenhe em defender suas crenças ou o levará a agir “por baixo do pano”.
Muitos pais se surpreenderiam ao ver com quanta liberdade os jovens de hoje expressam seu afeto físico. Prepare-se para escutar seus filhos e esteja pronto para dar conselhos sem se tornar juiz. Assim, poderá ajudá-los a estabelecer suas próprias normas.

Fonte: PELT, Nancy Van. Como Formar Filhos Vencedores: Desenvolvendo o Caráter e a Personalidade. São Paulo: Casa Publicadora Brasileira, 2006.

A tarefa dos pais


Por Nancy Van Pelt

Os pais podem ajudar os adolescentes de várias maneiras:

1. Respeite a privacidade. O adolescente precisa ter um lugar próprio, e os pais não devem se sentir rejeitados se ele fechar a porta do quarto. As coisas particulares incluem as cartas, o diário e as chamadas telefônicas. Os pais que bisbilhotam o quarto e os objetos pessoais do adolescente para encontrar evidências de atividades clandestinas estão violando o direito de privacidade do filho. Se você suspeita que seu filho esteja usando drogas, a necessidade de procurar e confiscar a droga é outro assunto; mas nada de prender diários pessoais e correspondência ou procurar coisas nos bolsos, nas carteiras e nas gavetas.

2. Torne o lar atrativo. Alguns pequenos cuidados, como uma aparência pessoal bem cuidada, arrumar as camas e manter a cozinha limpa, podem salvar o adolescente de se sentir envergonhado quando seus amigos o visitam. O adolescente é muito sensível à opinião que seus companheiros possam ter de seus pais, mesmo que ele próprio ande de qualquer jeito. Nunca deixe de fazer coisas em família. Muitos jovens têm bons pais, mas não os conhecem de verdade, porque só os veem quando estão dando broncas, criticando ou dizendo o que devem fazer. Uma das coisas que mais influenciam na felicidade da família é o sentimento de companheirismo e compreensão. Muitos dos contatos dos pais com seus filhos adolescentes são de necessidade, para a rotina e com finalidade de controlar. Por isso, é importante que também haja contatos menos sérios e mutuamente satisfatórios. As brincadeiras em família, as viagens ao campo, as férias, as caminhadas pelo bosque, os projetos de construção e os debates amigáveis criam uma atmosfera agradável que atrai os filhos.

3. Supervisione sutilmente. O adolescente não responde quando enfrenta uma série de situações negativas; no entanto, quer ser dirigido. Por um lado, prefere pais que manifestem firmeza; mas, por outro lado, se revolta quando lhe negam a liberdade a que tem direito. Nesse caso, pode ameaçar: “Deem-me liberdade ou eu vou embora desta casa”. Entretanto, a disciplina de modo nenhum cessa ou diminui na adolescência. O adolescente precisa que a âncora da disciplina parental (termo atual relativo ao pai e à mãe) o sustenha durante esse período da vida. A disciplina, como se sabe, deve ser justa e sem divisão. Não se deve permitir a nenhum filho indispor o pai contra a mãe; quando for preciso tomar uma decisão, o chefe da unidade familiar deve assumir essa responsabilidade.

4. Respeite o grito de independência. O adolescente precisa dos laços familiares, mas não quer estar preso, e os pais devem reconhecer essa diferença. Às vezes, os pais temem dar independência ao adolescente porque pensam que ele não tem idade suficiente para usá-Ia de forma responsável. O adolescente quer ser livre, mas não está pronto para ser independente e não entenderá mesmo que você o lembre disso a cada momento. Quando o adolescente lhe pedir mais liberdade, permita-lhe tomar suas próprias decisões, desde que seja responsável pelo resultado de seus próprios atos. Em geral, quando o jovem não está pronto para enfrentar essa nova liberdade, o mais seguro é que volte a você em busca de orientação.

5. Mantenha o bom humor. Para lidar satisfatoriamente com um adolescente, é preciso que haja equilíbrio entre o amor e a disciplina na escala do bom humor. O adolescente — e até mesmo o adulto — faz qualquer coisa razoável se alguém lhe pede de forma agradável. O bom humor é um antídoto contra a tendência de considerar a adolescência com muita seriedade. O riso produz uma atmosfera de aceitação e alegria no lar, e o adolescente precisa aprender a desfrutar da vida familiar e rir com os outros e sozinho.

6. Discuta as mudanças que podem ocorrer. Comente com o seu filho as mudanças que ocorrem durante a adolescência, as mudanças nas regras do lar e as pressões que enfrentarão no futuro. Com certeza, você já deve ter falado com ele sobre as mudanças que acontecerão em seu corpo, mas agora é o momento oportuno para repassar essas coisas; quando se trata do desenvolvimento sexual, é preciso fazê-lo com clareza e sem vacilar.

7. Promova o entendimento. Fale em particular com os membros mais jovens da família sobre certos problemas que precisam de mais compreensão da parte deles, mostrando como poderiam ajudar a aliviar a carga. Ao dar-lhes a oportunidade de participar de certos assuntos, os pais podem ajudá-los a entender melhor a adolescência antes de chegarem a essa fase.

8. Ouça o adolescente. Muitos pais não ouvem seus filhos adolescentes — pelo menos não com mente aberta. Alguns se importam pouco com as ideias e os sentimentos deles: “Além de tudo, é apenas uma criança. Eu o ouvirei quando aprender a dizer o que tem para dizer”.
Em uma pesquisa feita entre adolescentes, fizeram-se estas perguntas: “Quando você tiver seu próprio lar, gostaria que ele fosse como o seu agora ou preferiria fazer mudanças? Se pretende fazer mudanças, quais seriam elas?”. A maioria respondeu que a mudança seria dedicar mais tempo para ouvir os filhos. Um deles respondeu: “Se procuro minha mãe com algum problema, ela se escandaliza com o que eu digo e pede que eu tire da minha mente essas bobagens. Se procuro meu pai, ele me passa um sermão de uma hora”.
Os jovens de hoje são uma nova geração e devem sentir que nos preocupamos com eles, ouvindo o que nos dizem sem nos aborrecermos, sem culpar ninguém, sem os julgar e sem os podar. Ouvir os jovens com atenção é um fator muito importante; cria uma ponte sobre o abismo entre as gerações.

9. Dê segurança, amor e aceitação. O adolescente precisa de segurança num relacionamento que não muda com as circunstâncias. Ele precisa saber que, mesmo que haja mal- -entendidos e diferenças, sua relação com os pais não será interrompida.
Para o adolescente, um amor maduro significa que tanto o pai como a mãe estão dispostos a participar na sua vida e no seu crescimento e a liberar essa pessoa em desenvolvimento para esferas cada vez mais amplas da existência. Os pais devem dar aos filhos grande quantidade de afeto físico. O adolescente que na infância foi consolado por seus pais depois de um tombo ou de um machucado não se envergonhará do afeto deles nem se sentirá tão inclinado a buscar uma compensação nas relações sexuais prematuras.

10. Os adolescentes precisam ver que seus pais expressam amor mútuo a cada dia. Estudos cuidadosos indicam que as boas relações entre o casal podem ser profundamente afetadas quando os filhos estão na adolescência. Um dos fatores que contribuem para isso é a tensão emocional que se produz. Outros problemas têm pouco a ver com os filhos, mas surgem das necessidades não satisfeitas do esposo e da esposa.

Nos primeiros anos de vida da criança, a mãe pode satisfazer sozinha sua necessidade de segurança, mas, durante os tumultuados anos da adolescência, o jovem precisa da atenção tanto do pai como da mãe. Se ambos resolverem os problemas que impedem uma relação matrimonial satisfatória, a maioria dos problemas da adolescência também desaparecerão. A segurança do adolescente é reforçada quando a segurança em família é evidente.

Fonte: PELT, Nancy Van. Como Formar Filhos Vencedores: Desenvolvendo o Caráter e a Personalidade. São Paulo: Casa Publicadora Brasileira, 2006.

Responsabilidades de trabalho para o adolescente



Por Nancy Van Pelt

Antes que um astronauta esteja capacitado para viajar num veículo espacial, ele recebe instruções muito cuidadosas sobre a forma como o veículo deve ser operado. Quanto mais ele aprender e praticar, melhor astronauta será. Da mesma forma, antes que um adolescente possa assumir as responsabilidades da vida adulta, precisa aprender sobre essa vida e como vivê-Ia. Portanto, os pais sábios transformarão seus lares em laboratórios, onde cada adolescente poderá praticar a arte de viver.
Os adolescentes de ambos os sexos devem aprender a cozinhar, lavar, limpar a casa, fazer reparos simples e compras no supermercado, equilibrar o orçamento e fazer planos para eventos sociais.
É muito bom que os adolescentes tenham responsabilidades e se mantenham ativos. A um jovem de 16 anos, por exemplo, não se deve apenas deixar que lave o carro, mas que também dê sua opinião sobre a compra de um novo automóvel. Não se deve apenas pedir a um adolescente que limpe as janelas e a casa, mas que tenha voz e voto na escolha de materiais e cores que devem ser usados na decoração.
Embora os adolescentes devam participar das tarefas domésticas, os pais devem permitir que eles tenham tempo livre para realizar suas próprias atividades. Se João joga basquete nas terças-feiras à noite, não é justo que se negue esse privilégio a ele porque nessa noite ele tem de lavar os pratos. É bom fazer um programa adequado. Se o pai e a mãe o ajudarem a lavar os pratos, ele também aprenderá a ajudar os outros quando se encontrarem em necessidade.
Os pais devem dar prioridade ao adolescente que trabalha fora parte do tempo. As tarefas do lar não devem interferir, a menos que a situação no lar o requeira. O trabalho de meio período oferece ao adolescente um sentido de prestígio, e às vezes uma fonte de dinheiro pode até ajudar a definir sua carreira. Permita que o adolescente dedique gradualmente mais tempo ao trabalho e menos tempo às atividades do lar, se assim o desejar.
Durante a adolescência, a escolha do momento certo ocupa papel relevante no ensino da responsabilidade. E, de novo, relembramos que o momento mais favorável para ensinar responsabilidade ao jovem é quando ele demonstra interesse definido por certa atividade. Um jovem chegou em casa todo entusiasmado quando aprendeu a fazer um dispositivo elétrico na aula de eletricidade. Pensou que seria capaz de fazer um que abrisse a porta da garagem. O pai o incentivou para que fizesse o projeto; ambos conseguiram os materiais necessários e começaram a trabalhar na garagem durante seu tempo livre. Como o dispositivo elétrico foi um verdadeiro sucesso, pensaram em novos projetos que pudessem ser realizados com as ferramentas do pai. Dessa maneira, o filho, que nunca tinha se preocupado com o futuro, começou a pensar na carreira de eletricista ou engenheiro elétrico.
Em um estudo recente, 88% dos jovens que estavam com problemas com a lei responderam “nada” quando indagados sobre o que faziam no seu tempo livre. O trabalho caseiro, especialmente a limpeza das paredes e dos pisos, ajuda a manter a boa forma, a desenvolver os músculos e a canalizar as energias próprias da juventude e da vitalidade de um corpo em desenvolvimento. Cozinhar e costurar ajuda o jovem a se preparar para realizar os trabalhos do lar. O trabalho é a melhor disciplina que um adolescente pode ter. Ele ensina as virtudes da laboriosidade e da paciência; ajuda a escolher uma profissão para os anos seguintes; mantém o jovem ativo e livre da ociosidade e do mau comportamento; e possibilita a integridade, a confiança e o respeito próprio.

Fonte: PELT, Nancy Van. Como Formar Filhos Vencedores: Desenvolvendo o Caráter e a Personalidade. São Paulo: Casa Publicadora Brasileira, 2006.

Castigo para os adolescentes


Por Nancy Van Pelt

Os pais não devem castigar fisicamente o adolescente. Ele se considera adulto e crê que apanhar é para as crianças. Sua autoestima não pode ser sacrificada no altar do ressentimento. Isso não quer dizer que o controle deva ser abandonado. Ao contrário, o adolescente precisa de uma supervisão firme e constante. Muitos erros e faltas do adolescente podem ser corrigidos com diálogos, num clima de amor e consideração. Se esse método fracassar, talvez seja conveniente tirar-lhe alguma regalia: sair com os amigos, usar o carro ou coisas parecidas. Reter a mesada ajuda a controlar o comportamento, mas não use esse método para que ele melhore as notas na escola.
As medidas disciplinares funcionam de forma mais efetiva entre os adolescentes quando eles colaboram na elaboração das regras e do castigo por sua desobediência. Uma mãe, quando seu filho voltou certa noite catorze minutos depois da hora combinada, disse: “Aplique você mesmo o castigo que merece e faça-o agora”. “Sou um idiota!”, exclamou o jovem em voz alta. “Se voltar a chegar tarde, perderei o privilégio de sair à noite, coisa que não quero”. Com um sorriso, continuou, com toda a riqueza de detalhes, fazendo o ritual que seus pais faziam para dar-lhe bronca quando desobedecia, incluindo as razões, e tomou a decisão de voltar para casa antes da hora combinada. Essa atitude ajudou sua mãe a manter a calma num momento em que se encontrava muito cansada para agir com justiça. Além disso, ela ficou satisfeita ao ver que ele aprendera a agir com responsabilidade. A partir daquela noite, o rapaz passou a chegar sempre cedo.

Fonte: PELT, Nancy Van. Como Formar Filhos Vencedores: Desenvolvendo o Caráter e a Personalidade. São Paulo: Casa Publicadora Brasileira, 2006.